EXPOSIÇÃO ARTE “MANY FACES” DE BLAC DWELLE
04/09 | 19:30
No dia 4 de setembro venha conhecer em primeira mão a exposição “Many Faces” de Blac Dwelle. Desde 2014, Blac Dwelle tem desenvolvido a sua prática artística em torno da escultura, pintura e desenho, mas na exposição Many Faces, a matéria ganha peso e corpo através do cimento - matéria densa, bruta e permanente. Many Faces é uma exposição que recusa respostas fáceis. Numa época marcada pela aceleração, pelo ruído e pelas máscaras — físicas, sociais e simbólicas — as obras apresentadas convidam à paragem, ao olhar atento, ao desconforto. As figuras esculpidas por Blac Dwelle — fragmentadas, erguidas, muitas vezes ambíguas — falam de escolhas: as que fazemos diariamente ao decidir que face vestir, que papel desempenhar, que verdade esconder ou mostrar. Estas esculturas de cimento, aparentemente duras e definitivas, são também espelhos que devolvem as contradições que preferimos evitar. Como nos posicionamos perante as violências globais que, mesmo distantes, ressoam nos nossos quotidianos? Estamos realmente dispostos a reconhecer os reflexos que ignoramos? Ou mantemos o olhar desviado, protegidos por uma performance de normalidade? As “faces” de Blac Dwelle não nos oferecem consolo, mas sim a urgência de uma honestidade radical. Ao percorrer esta exposição, o público é desafiado a repensar as suas próprias máscaras e a questionar: até que ponto as escolhas que fazemos — ou que nos são impostas — contribuem para sustentar as estruturas que fingimos querer transformar?
BIOGRAFIA
Blac Dwelle é o artista de origem cabo-verdiana e português, Ricardo Piedade (n. 1993), com formação profissional em Design Gráfico pela Etic – Escola de Tecnologia, Inovação e Criação, tem vindo a desenvolver, desde 2014, uma prática artística focada principalmente em escultura, pintura e desenho. Combinando elementos figurativos e abstratos, a sua linguagem visual revela o seu gosto em explorar cores e formas, padrões e elementos. As suas obras imbuídas de uma relevante, mas subtil, carga simbólica, colhem inspiração em referências das artes e culturas tradicionais africanas, onde tem as suas raízes, mas também de culturas indígenas, civilizações antigas e da arquitetura vernacular. As suas composições em madeira - que partem de um esboço e ganham forma através do exercício da carpintaria e uma engenhosa conexão de elementos díspares - exploram com frequência o motivo da máscara como veículo de expressão e libertação, simbolizando uma “ocultação da verdadeira identidade, a transgressão e quebra de padrões, uma espécie de exaltação do ser humano e do que esconde dentro de si”.